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Por Fernando Narazaki
Em 30 de setembro de 1988, o meio-pesado Aurélio
Miguel trouxe a primeira medalha de ouro do judô, após
bater o alemão Marc Melling na final das Olimpíadas
de Seul. No Brasil, dois meninos de cinco anos assistiram
deslumbrados à conquista histórica do judoca
e resolveram praticar aquela modalidade, até então,
desconhecida.
| Foto Marcelo Ferrelli/GP |
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| Luis Camilo (azul) e Leandro Guilheiro
durante a primeira seletiva para as Olimpiadas de Atenas-2004 |
Pouco mais de 15 anos depois, o brasiliense Luciano Corrêa
e o paulista Leandro Guilheiro deram o primeiro passo para
repetir o feito do ídolo, que assistia da tribuna de
honra à vitória de duas de 'suas crias'. Os
dois venceram a primeira etapa da seletiva para os Jogos de
Atenas-2004, disputada nesse domingo em São Paulo,
e agora precisam vencer a etapa de Minas Gerais (em março)
ou a terceira (em local a ser definido, em abril).
Os dois jovens foram responsáveis pelas maiores surpresas
da etapa. Guilheiro derrotou Luis Francisco Camilo, ouro no
Pan de Santo Domingo, na categoria meio-leve por 2 a 0, enquanto
Corrêa bateu Mário Sabino, ouro no Pan e bronze
no Mundial de Osaka, por 2 a 1 no meio-pesado.
O triunfo do brasiliense foi mais dramático, já
que o atleta do Minas Tênis Clube perdeu o primeiro
combate por um waza-ari. Com 21 anos, o judoca reagiu e empatou
o duelo, forçando duas punições ao rival
no segundo combate.
Na terceira e decisiva luta, os dois travaram um duelo muito
equilibrado e ambos somaram pontos apenas nas punições
por falta de combatividade no tempo normal e na prorrogação.
A decisão foi para a bandeirada e dois árbitros
deram a vitória ao brasiliense, que se atirou no tatame
após o triunfo.
'Eu nem acredito. Hoje (domingo), eu comecei muito mal e
tive de botar a cabeça no lugar. Ainda bem que consegui
virar', explica Corrêa, que só entrou no judô
a pedido dos pais. 'Eles me levaram para o judô e foi
muita luta até aqui', comenta.
Para ele, a responsabilidade será ainda maior, já
que disputa a mesma categoria que seu ídolo de 15 anos.
'Eu via o Aurélio na TV, pedi autógrafo para
ele e nem consigo acreditar que posso ir na vaga dele', diz
Corrêa.
O brasiliense espera repetir o mesmo sucesso em Ipatinga,
quando espera contar com o apoio da torcida. 'Eu quero o ginásio
cheio e torcendo por mim. Não tem favorito no judô
e provei isso hoje (domingo). O Mário é um grande
judoca e sei que a coisa não será fácil,
mas estou otimista', comenta o judoca, que descarta pensar
em Atenas. 'Vamos passo a passo. Se levar a vaga, eu penso
nisso', diz.
Outra cria de Aurélio Miguel é o meio-leve
Leandro Guilheiro, que entrou no judô animado com os
resultados do ídolo. 'Comecei pouco depois do ouro
do Aurélio. Torcia direto por ele, chorei muito quando
perdeu em 1992 e fiquei revoltado com o bronze em 1996', destaca
Guilheiro, que depois ainda pôde treinar com Rogério
Sampaio, ouro em Barcelona-1992.
Para ele, o contato com os dois medalhistas foi fundamental
para acreditar em seu sucesso. 'O maior estímulo que
recebi foi acreditar que podia conseguir. Via o Rogério
treinando todo dia comigo lá em Santos (onde Sampaio
tem uma academia) e percebi que podia conseguir. Ele era de
carne e osso, e eu também podia chegar lá e
estou muito perto', afirma.
Nesse domingo, o jovem de 20 anos surpreendeu Camilo por
2 a 0 na mesma categoria em que Sampaio foi campeão
olímpico. 'Ainda tem mais um passo para dar. Sei que
a próxima luta será diferente e ele vai vir
com tudo, mas espero manter o bom ritmo', destaca Guilheiro,
que não perde uma luta desde junho deste ano.
Das tribunas, o ídolo dos dois jovens dava um sorriso
largo, enquanto assistia aos combates da seletiva. 'Nem dá
para acreditar que faz tanto tempo. Estou muito feliz por
ter ajudado o judô a chegar neste estágio. É
uma satisfação', disse Aurélio, enquanto
abraçava Guilheiro. Um presente para o ídolo.
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